Pensamentos Dispensáveis



Há quem diga que não precisa de ninguém. Que silêncio é suficiente, que a própria companhia basta, que amigos são acessórios emocionais dispensáveis. Eu já tentei vestir essa ideia como se fosse maturidade. Não era.

No contexto social em que vivemos, tudo pulsa em troca: palavra por palavra, gesto por gesto, presença por presença. O ser humano não foi desenhado para ecoar sozinho. E, ainda assim, há aqueles que se orgulham de não sentir falta de ninguém. Dizem que não precisam ligar, que não precisam chamar, que não precisam estar. Confundem autossuficiência com isolamento.

Eu também já pensei que não sentir falta fosse força. Que não depender fosse evolução. Mas a ausência constante de pessoas ao redor não constrói nada — só amplia o vazio. A falta de sociabilidade não me trouxe paz superior, nem foco extraordinário, nem liberdade invejável. Trouxe silêncios longos demais. Risadas que não aconteceram. Histórias que não foram compartilhadas.

Pessoas que não sentem falta de amigos podem até parecer firmes, mas vivem num território onde ninguém celebra suas vitórias de perto e ninguém segura sua queda quando ela vem. A vida sem troca vira rotina sem cor. Conversas rasas consigo mesmo não substituem o calor de uma amizade verdadeira.

Sociabilidade não é carência. É conexão. É reconhecer que crescer também é dividir. Que ouvir amplia. Que conviver ensina. Que estar com alguém não diminui — expande.

Hoje entendo: não sentir falta de ninguém não é sinal de força. É sinal de distância. E distância demais não soma, não acrescenta, não edifica.

Não me trouxe nada útil. Só me afastou do que realmente importa.


Vinícius Silvério Muniz da Silva 
Poeta Jovem Barueri 
Qua, 11/Fev - 12:13

Comentários

Anônimo disse…
Gostei Vini, Parabéns 👏

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