A Infância Roubada
olhar de quem cresceu sem ter sido guiado.
Não faltou só presença, faltou direção,
faltou colo firme pra formar o coração.
Foi criado no improviso, no “vai dar um jeito”,
aprendeu cedo a ser forte, engolindo o peito.
Na escola da vida, sem professor nem pai,
cada queda doeu mais, mas ninguém viu como cai.
No cordel da existência, a rima é sofrida:
pai que some cedo deixa marca pra vida.
Não é só ausência física, é buraco na alma,
é pergunta sem resposta que rouba a calma.
Cresce desconfiado, com medo de amar,
pois quem devia ficar escolheu se afastar.
Na criação isso pesa, molda gesto e fala,
forma adulto ferido, com armadura que cala.
Alguns viram coragem, outros viram revolta,
há quem lute por dentro, há quem o mundo afronta.
Porque trauma não some com frase bonita,
ele mora no tempo, na memória infinita.
Mas a crônica não termina na dor repetida:
há jovens que ressignificam a própria ferida.
Transformam abandono em força e razão,
criam novos caminhos, refazem a criação.
Pois quem cresce sem pai não cresce sem valor,
aprende, mesmo tarde, a se fazer amor.
E no fio desse verso, simples e direto:
a falta dói, mas não define o destino completo.
Explicação:
Este texto inicia explicando a construção da obra, que une crônica e cordel para refletir, de forma sensível e popular, a realidade de jovens marcados pela ausência paterna, preparando o leitor para compreender a profundidade emocional e social do tema abordado.
1. Estrutura do texto
O texto mistura crônica e cordel.
Crônica: aparece no tom reflexivo, observador e cotidiano, como se o narrador estivesse “vendo” jovens reais, comuns, marcados pela ausência paterna.
Cordel: está nas rimas, no ritmo simples, popular e narrativo, típico de histórias que denunciam dores sociais e emocionais.
Essa mistura aproxima o tema da realidade e, ao mesmo tempo, dá força cultural e emocional ao conteúdo.
2. Tema central
O texto trata dos traumas e dificuldades enfrentados por jovens abandonados por seus pais biológicos e de como essa ausência interfere diretamente na formação emocional, psicológica e social durante a criação.
3. Ausência paterna
A figura do pai ausente é apresentada não apenas como alguém que “não esteve”, mas como alguém que deixou:
Falta de referência
Falta de orientação
Falta de segurança emocional
A ausência não é só física, é emocional e simbólica, criando um “buraco na alma”.
4. Impactos emocionais
O texto mostra vários efeitos dessa ausência:
Silêncio e introspecção: o jovem calado, observador
Desconfiança: medo de amar e de criar vínculos
Armadura emocional: o jovem aprende a se proteger para não sofrer de novo
Dor prolongada: o trauma não passa com o tempo, ele se transforma
Isso evidencia que o trauma acompanha o crescimento e molda comportamentos.
5. Impactos na criação
A criação sem pai é descrita como improvisada:
"O jovem aprende sozinho
Aprende a ser forte cedo demais
Não tem alguém para ensinar limites, direção e afeto equilibrado."
Isso influencia diretamente na formação do adulto, que pode crescer ferido, inseguro ou revoltado.
6. Reações diferentes ao trauma
O texto mostra que o abandono não gera um único resultado:
"Alguns desenvolvem coragem
Outros desenvolvem revolta
Alguns lutam em silêncio
Outros externalizam a dor no mundo. "
Isso reforça que cada jovem reage de forma única à mesma ferida.
7. Ressignificação
Na parte final, o texto muda o foco da dor para a superação:
"Mostra que o trauma pode ser transformado
Que o abandono não define o valor da pessoa
Que é possível criar novos caminhos emocionais."
Não romantiza a dor, mas reconhece a capacidade humana de reconstrução.
8. Mensagem final
"A conclusão é direta e forte:
A ausência do pai dói
Deixa marcas reais
Mas não determina o destino completo."
O texto termina afirmando dignidade, força e possibilidade de recomeço, sem negar a dor vivida.
Poeta Jovem Barueri
Vinícius Silvério Muniz da Silva
Qua, 04 de Fevereiro de 2026
11:53
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