Sinais do Regresso
Fechei a janela e apaguei a luz do quarto. No começo, parecia só um cansaço qualquer, até uma piada boba que a gente tenta contar para si mesmo para amenizar o peso. Mas perde a graça no instante em que o peito gela ao perceber que o receio não vem de fora, vem de dentro. Quando passei a sentir medo de mim mesmo, soube que a coisa tinha ficado séria. A claridade virou um incômodo físico. A luz forte parece que expõe demais, machuca os olhos e cobra uma presença que já não consigo entregar; na iluminação direta, simplesmente não me vejo mais. A penumbra, por outro lado, acabou virando um abraço silencioso, o único canto onde o barulho interno diminui e dá para respirar sem tanta cobrança. Só que reconheci esse caminho. Senti os pés voltando para aquele mesmo lugar escuro, aquele poço antigo onde passei por coisas que prometi nunca mais reviver. E foi esse alarme que me fez parar. Não dá para atravessar isso sozinho de novo. Decidi engolir o orgulho, estend...