Alegria Inexistente
A sensação de abrir os olhos pela manhã e sentir um peso sufocante no peito antes mesmo de o dia começar é exaustiva. Não é apenas preguiça ou cansaço físico; é a alma pedindo uma pausa que o mundo não permite dar. Entrar no modo automático virou um mecanismo de defesa, uma tentativa constante de atravessar as horas sem deixar que o vazio ao redor engula o pouco que resta por dentro. A vida segue, os compromissos cobram presença, mas a mente parece assistir a tudo de longe, sem vontade, sem impulso e sem nenhum verdadeiro ânimo. Existe uma solidão muito específica em perceber que, aos olhos dos outros, nada parece faltar. A sociedade adora associar a felicidade a conquistas visíveis, conforto ou estabilidade, mas a dor interna não pede permissão e nem respeita privilégios. Ter o básico — ou até mais do que isso — não imuniza ninguém contra o anestesiamento da alma. Quem olha de fora enxerga uma estrutura completa, mas por dentro tudo parece desprovido de cor, sabor ou senti...