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A Casa Sabia

A casa sabia... Sabia pelo jeito que a chave girava na porta — brusca demais. Sabia pelo peso dos passos — duros demais. Sabia pelo silêncio que vinha depois — longo demais. O sofá foi o primeiro a entender. Ele acolhia o corpo dela todas as noites, não para descanso, mas para esconder o cansaço. Sentia o tremor nas mãos dela, via as lágrimas que ela limpava rápido, como quem tem vergonha até da própria dor. Ele guardava marcas invisíveis, afundamentos que não eram só do peso do corpo, mas do peso da humilhação. A mesa da cozinha também sabia. Já ouvira pratos se partirem, palavras cortarem mais que cacos. Ela, que nasceu para reunir, virou trincheira. Sobre sua madeira, punhos batiam, copos eram lançados, promessas quebradas eram espalhadas como migalhas. E ainda assim, no dia seguinte, ela sustentava o café posto com cuidado, como se a normalidade fosse possível. As paredes… ah, as paredes eram arquivos vivos. Elas escutavam tudo. Escutavam os gritos abafados, os pedidos ...

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