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Preto No banco

O dia enfim ficou cinza, Tem dias que a gente acorda e percebe que o filtro da vida mudou de lugar. Não é bem uma tristeza agoniada, daquelas que arrancam lágrimas no meio da sala; é um silêncio esquisito. Como se alguém tivesse passado a mão de leve numa tela de pintura e borrado todas as cores, deixando só um rastro de cinza por cima de tudo. A rotina continua rodando, a gente levanta, faz o café, responde às mensagens, mas parece que estamos assistindo a um filme antigo, em preto e branco, onde a gente mesmo faz o papel principal sem saber muito bem o roteiro. É aquela sensação incômoda de que a vida perdeu o tom, sabe? As ruas parecem mais distantes, o sol de meio-dia não aquece a pele do mesmo jeito, e o caminho é feito sem direção, guiado só pela pura e simples força do hábito. E o pior é o barulho do mundo que vira nada. Podem tocar a música mais bonita do universo, podem gritar o seu nome com afeto: não há dissonância ou som que toque o coração. A gente vira uma esp...

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