Me Mandaram pro Inferno. Voltei no Comando.
Na reunião, os olhares foram sutis, mas carregavam intenção. As palavras vieram depois, revestidas de formalidade: “Você foi transferido para uma nova unidade. Fica longe. Bem longe.” A justificativa era estratégica, mas o subtexto era claro — afastar, dispersar, silenciar. Como se a distância pudesse dissolver quem eu sou.
Empacotei meus poucos pertences. Deixei o bairro que conhecia de cor, a rua onde todos me chamavam pelo nome, e rumei para um canto qualquer do mapa. Um lugar que parecia frio demais para criar raízes, duro demais para acolher alguém de fora.
Cheguei e, como esperado, não houve recepção calorosa. Olhares desconfiados, conversas cortadas ao meio quando eu passava. Era como ser jogado no meio da floresta — e lá estavam eles: os lobos. Colegas competitivos, superiores hostis, regras não escritas prontas para derrubar qualquer um que não se curvasse.
Mas eu não me curvei.
Fiquei em silêncio nos primeiros dias. Observei. Analisei cada gesto, cada dinâmica. Aprendi os caminhos, os atalhos, os perigos. E aos poucos, sem alarde, comecei a agir. Não precisei gritar, nem impor. Apenas mostrei resultado. Firmeza. Lealdade. Postura.
Os mesmos que me olhavam torto começaram a pedir conselhos. A resistência virou respeito. Os sussurros se tornaram elogios murmurados. E os lobos? Bem... passei a caminhar ao lado deles. Não precisei domar ninguém. Bastou mostrar que eu também sabia uivar.
Hoje, olho para trás e sorrio. Acharam que me exilaram. Na verdade, me promoveram. Me jogaram aos lobos, e voltei como líder da matilha.
Vinicius Silvério Muniz da Silva
Poeta Jovem Barueri
06/07/2025 - 13:00
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