Chá das Alices
O Chá das Alices
No recanto gentílico de Barueri, erguem-se vozes de bravas donzelas,
que, em ajuntamento de saberes, tecem destinos com mãos ligeiras e alma intrépida.
Chamam-lhe Chá das Alices, rito de honraria,
onde o Conhecimento se entrelaça às Habilidades,
e as Atitudes, como facho aceso, alumiam sendas outrora veladas.
N’ali se ajuntam mulheres de múltiplas jornadas,
cujos passos, ainda que marcados por lutas e agruras,
reverberam força, engenho e ousadia,
erguendo-se contra sombras de velhos estereótipos,
quais muralhas que há muito carecem ruir.
No quarto dia do derradeiro dezembro de 2025,
das horas duas após o meio-dia até as cinco vespertinas,
celebraram-se histórias tecidas no tear da vida,
num encontro onde cada voz era lume e cada relato, brasão.
Em 2024, o mote fora o empreendedorismo feminino,
e as valentes que ali se apresentavam,
armadas de coragem e esperanças quietas,
desfiavam as dores e glórias de empreender,
enfrentando mares revoltos com firme pulso e claro espírito.
E assim, sob o amparo da Secretaria da Mulher
e dos espaços que alentam o sonho — como o Sebrae Aqui Mulher —
ergueu-se um brado de fidalguia moderna,
proclamando que nenhuma sina há de tolher a ascensão
daquelas que, munidas de saberes, habilidades e atitude,
inscrevem no mundo seu próprio enredo
com a altivez de quem renasce sempre
mais forte.
Explicação: A gênese do poema elaborado pelo escritor Poeta Jovem Barueri não se limita a uma mera disposição estética das palavras, mas emerge de uma confluência densa de estímulos socioculturais, simbólicos e afetivos que, ao se imbricarem, tornam-se motor de criação. Sua motivação, longe de ser unívoca, reside num entrelaçamento de propósitos que transcendem o campo do lirismo ordinário e se assentam sobre uma consciência crítica ampliada.
Primeiramente, o autor, atento às dinâmicas contemporâneas que moldam o universo feminino, percebe no Chá das Alices uma manifestação que ultrapassa a literalidade de um evento: trata-se de um rito civilizatório, quase litúrgico, em que mulheres se reúnem não apenas para partilhar experiências, mas para refundar, simbolicamente, seus próprios papéis sociais. A escolha do tema — Conhecimento, Habilidades e Atitude — e sua referência à figura literária de Alice evocam, para o poeta, o arcabouço alegórico das desconstruções identitárias e da transgressão das normas que por séculos engessaram a mulher.
Assim, ao escrever, ele não se propõe somente a narrar, mas a restituir a sacralidade dessas trajetórias, convertendo-as em matéria estética. Em sua visão, cada mulher participante do evento torna-se metáfora viva de resistência, e o poema se edifica como um testemunho literário destinado a preservar essa atmosfera quase iniciática de superação e audácia.
Além disso, a sensibilidade do Poeta Jovem Barueri é permeada por uma espécie de historicidade afetiva: ele compreende que Barueri, ao sediar tal encontro, figura não como mero cenário, mas como território simbólico, onde políticas públicas e vivências individuais convergem para instaurar uma narrativa coletiva de emancipação. Dessa forma, sua escrita busca conferir ao espaço geográfico um valor transcendental, convertendo o ordinário em epopeia.
Por fim, a complexidade da explicação se assenta no fato de que o autor enxerga a arte como instrumento de perpetuação e amplificação das vozes femininas. O poema nasce, portanto, como um gesto de reverência e como um mecanismo de inscrição histórica, assegurando que o espírito das Alices — este amálgama de coragem, engenho e metamorfose — não se dissipe, mas permaneça ecoando para além do evento, fincando raízes na memória cultural da cidade.
Em suma, o Poeta Jovem Barueri elaborou o poema movido por um impulso de enobrecimento das narrativas femininas, pela necessidade de conferir forma literária a um movimento social de força crescente e pela convicção íntima de que a poesia é, quando bem aplicada, um instrumento de preservação da grandeza humana em sua forma mais pura e imutável.
Poeta Jovem Barueri - Qui, 04 de Dezembro de 2025 às 13:53
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