Pérfido
Hoje sou diferente. Aprendi a medir palavras, controlar impulsos e esconder tempestades atrás de silêncios educados. O tempo me ensinou que quem reage demais entrega fraquezas, e quem observa em silêncio conhece o ponto exato onde tudo desmorona.
Mas existe um detalhe que poucos percebem.
O homem que me tornei precisou aprisionar outro dentro da própria mente.
Um rapaz frio. Calculista. Incapaz de sentir culpa ao devolver na mesma moeda cada ferida recebida. Um lado que não discutia, não ameaçava e tampouco gritava. Apenas aguardava. Como uma lâmina esquecida dentro da água escura, imóvel… até alguém tocá-la.
E a pior parte sobre pessoas frias é que elas raramente demonstram raiva. A frieza nunca vem para substituir o ódio; ela vem para organizá-lo.
Por isso, quando meu olhar parece distante ou minhas palavras ficam curtas demais, entenda: aquele não é silêncio comum. É apenas o último aviso antes da porta se abrir novamente dentro da minha mente.
Existe um tipo de vingança que não precisa de violência para destruir alguém. Basta paciência. Basta conhecer exatamente aquilo que a pessoa teme perder. O rapaz que deixei trancado sabe disso melhor do que ninguém.
Então não se engane com minha tranquilidade atual. Ela não nasceu da bondade absoluta, mas do controle. Porque monstros também aprendem disciplina quando entendem as consequências de serem libertos.
E talvez seja por isso que hoje prefiro manter distância das pessoas. Não por medo delas… mas pelo receio de descobrir que ainda sou capaz de soltar aquele homem outra vez.
Afinal, a frieza nunca é o começo da vingança.
Ela é apenas o aviso.
Vinicius Silvério Muniz da Silva
Poeta Jovem Barueri
17/05/2026
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