Falsos Sorrisos
Eu aprendi a sorrir sem estar feliz.
Aprendi a rir quando a vontade era permanecer em silêncio. Aprendi a dizer “está tudo bem” quando, dentro de mim, tudo parecia desmoronar.
Talvez ninguém tenha percebido.
Ou talvez eu tenha ficado bom demais em esconder.
Durante o dia, sou aquilo que as pessoas esperam que eu seja. Converso, brinco, cumprimento, ajudo e sigo em frente. Algumas vezes, consigo até fazer alguém sorrir.
E talvez seja essa a maior ironia da minha vida:
consigo arrancar sorrisos dos outros enquanto, dentro de mim, procuro desesperadamente por um motivo para sorrir.
Eu já não enxergo o mundo como enxergava antes.
As coisas continuam acontecendo, as pessoas continuam vivendo, os dias continuam nascendo e morrendo diante dos meus olhos. Mas alguma coisa mudou dentro de mim.
As cores parecem menos vivas.
Os lugares parecem menos interessantes.
As palavras parecem mais distantes.
E eu pareço cada vez mais distante de mim mesmo.
Quando alguém pergunta se estou bem, eu respondo:
— Estou.
Não porque seja verdade.
Mas porque nem sempre tenho forças para explicar o que acontece dentro de mim.
Como explicar um vazio?
Como explicar uma dor que não possui ferida?
Como explicar que, mesmo cercado de pessoas, algumas vezes me sinto completamente sozinho?
Então eu me calo.
Guardo minhas dores como quem guarda cartas que nunca serão enviadas. Escondo minhas lágrimas, engulo minhas palavras e continuo caminhando.
Não quero preocupar ninguém.
Não quero ser um peso.
Não quero que tenham pena de mim.
Por isso, sorrio.
Sorrio porque é mais fácil do que explicar.
Mas existe uma hora em que o dia termina.
As pessoas vão embora.
As conversas acabam.
As portas se fecham.
E então fico sozinho.
É nesse momento que não consigo mais fugir de mim.
No silêncio do meu quarto, não existe personagem.
Não existe sorriso.
Não existe “está tudo bem”.
Existe apenas eu.
Eu e meus pensamentos.
Eu e minhas perguntas.
Eu e todas aquelas coisas que passei o dia inteiro tentando esconder.
Às vezes fico olhando para o teto, perguntando em que momento deixei de enxergar beleza nas coisas simples.
Não quero deixar de existir.
Quero apenas entender por que existir, algumas vezes, parece tão pesado.
Essa diferença talvez ninguém compreenda.
Eu não quero abandonar a vida.
Eu só estou cansado de carregar sozinho aquilo que não sei como dizer.
E talvez seja isso que mais doa:
ninguém percebe a batalha quando você aprendeu a lutar em silêncio.
As pessoas conhecem meu sorriso.
Conhecem minhas brincadeiras.
Conhecem aquilo que permito que conheçam.
Mas não conhecem minhas noites.
Não conhecem meus pensamentos.
Não conhecem o tamanho do vazio que escondo atrás de uma simples frase:
“Estou bem.”
E amanhã, provavelmente, farei tudo novamente.
Vou acordar.
Vou me vestir.
Vou sair.
Vou conversar.
Vou sorrir.
Vou perguntar se os outros estão bem.
E, quando perguntarem por mim, talvez eu responda novamente:
— Estou bem.
Mas, quando a noite chegar e o mundo inteiro se calar, estarei novamente diante do espelho da minha própria alma.
Sem máscaras.
Sem respostas.
Sem ninguém para enganar.
Apenas eu.
Eu e o meu silêncio.
Eu e minhas dores.
Eu e o vazio.
E talvez ninguém jamais descubra o quanto custa parecer inteiro quando, por dentro, tudo o que existe é alguém tentando encontrar novamente um pouco de luz.
Vinícius Silvério Muniz da Silva
Poeta Jovem Barueri
12:35 •Segunda, 14 de Setembro de 2026
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