Alegria Inexistente
Existe uma solidão muito específica em perceber que, aos olhos dos outros, nada parece faltar. A sociedade adora associar a felicidade a conquistas visíveis, conforto ou estabilidade, mas a dor interna não pede permissão e nem respeita privilégios. Ter o básico — ou até mais do que isso — não imuniza ninguém contra o anestesiamento da alma. Quem olha de fora enxerga uma estrutura completa, mas por dentro tudo parece desprovido de cor, sabor ou sentido.
O momento mais doloroso do dia costuma ser a exigência da convivência social. É profundamente chato e desgastante precisar testemunhar momentos leves, piadas ou conquistas alheias e ter que forçar um sorriso para não parecer frio, desagradável ou antipático. Colocar essa máscara diária dói de forma física e emocional. O ato de fingir uma alegria que não existe consome até o último pingo de energia, transformando a rotina em um teatro contínuo onde o único papel disponível é o de alguém que está bem.
Essa desconexão entre o que se sente e o que se demonstra dói em todos os sentidos possíveis. Dói pela falta de perspectiva, dói pela culpa de não conseguir sentir gratidão pelas coisas boas ao redor e dói pela exaustão diária de simplesmente existir em piloto automático. Seguir em frente assim não é viver, é apenas resistir — um dia de cada vez, esperando silenciosamente pelo momento em que a vida volte a ter algum significado real.
Vinícius Silvério Muniz da Silva
Poeta Jovem Barueri
06:47 Qui, 17 de 2026
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